Há seis anos, um amarelo vibrante invadiu Copacabana com a promessa de um boteco honesto, porém gourmetizado – e cariocas de todas as tribos renderam-se ao chamado do caju. Agora, o Caju Gastrobar desembarca na General Polidoro, em Botafogo, bairro que concentra a efervescência (e a pressão) da moda gastronômica da Zona Sul. A nova unidade é pocket, mais enxuta, e deixa claro desde a entrada: não veio para bancar a sofisticada, mas para replicar a fórmula do sucesso.
A primeira impressão é de despojamento. Quem conhece a casa-mãe, com sua programação visual um pouco mais bem acabada, estranha: falta projeto de arquiteto. O lugar é simples, quase cru, dependendo do calor das pessoas e dos pratos para criar ambiente. Uma vitrine fria logo na entrada anuncia o caráter rotativo do dia a dia, com opções como um intrigante Vinagrete de Polvo com Caju e a “Linguaruda da Vovó”. É um toque de frescor, mas a alma do lugar, como antes, está nas frituras e nos petiscos robustos.
E aqui, a cozinha acerta. O pastel é bem recheado – experimentei o de queijo e o de camarão –, com massa um pouco mais grossinha do que estou acostumada, mas honesta. A carne de sol no ponto com chips de batata doce (as famosas Bifanas) mantém o título: é saborosa, bem executada, e os chips dão o contraste doce que pede uma cerveja gelada ou um drink criativo, especialidade da casa. Tudo vem em porções generosas. Aliás, tudo vem bastante, e isso define o espírito do lugar: um boteco que não economiza na mão.
O pão de queijo recheado é viciante. Tipo pipoca que não dá vontade de parar de comer, e é, de fato, um dos mais pedidos – ótimo para dividir, mas cuidado para não ficar só para você. Os drinks seguem ótimos e com preço inferior à média da região: cerca de R$ 25 contra os R$ 35 de muitos concorrentes. O Querido Caju, batida-ícone da casa, segue imprescindível.
Eles entenderam que o negócio deles não é sobremesa, mas há duas tentadoras exceções no cardápio: um brigadeiro meio amargo (bem amargo, aliás) de colher com flor de sal e um pudim de leite com crocante de nozes. Dois clássicos com um singelo toque de inovação.
O custo-benefício é ótimo. O lugar é focado em fritura para quem gosta de fritura bem feita, e isso é dito com orgulho. Esse irmão mais novo, que fica na frente do Chanchada, parece saber que seu charme está justamente na falta de pose. É o mesmo Caju, mas com a calça jeans rasgada e os pés no chão – adequadíssimo para o Botafogo do hype sem frescura.
Pode não ter a beleza plástica da unidade de Copacabana, mas tem o mesmo coração – e fritura que acerta em cheio. Para almoço do dia a dia, encontro com amigos ou noite descontraída.
CAJU GASTROBAR BOTAFOGOR. General Polidoro, 171 – LOJA A, próximo à Arnaldo Quintela – BotafogoFuncionamento: Seg a Dom, 11h à 1h (horários podem variar)
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