A praia de São Conrado, na Zona Sul do Rio, entrou em uma fase rara nos últimos anos: água mais limpa, mais gente de volta à areia e um movimento renovado em projetos sociais ligados ao mar. Tradicional reduto de voo livre e esportes aquáticos, a faixa de areia esteve própria para banho em 83% do tempo entre janeiro e dezembro de 2025, segundo dados do Instituto Estadual do Ambiente (Inea).
A melhora na balneabilidade tem sido associada aos investimentos feitos pela concessionária Águas do Rio. Desde o início da concessão, em 2021, a empresa afirma ter evitado o despejo de mais de 5 bilhões de litros de esgoto por ano no mar da região. Na prática, o reflexo apareceu na rotina da praia.
Um dos sinais mais visíveis dessa mudança está na Rocinha Surf Escola, que há 31 anos oferece aulas gratuitas de surfe, bodyboard e natação para crianças, adolescentes e jovens, principalmente da Rocinha. Hoje, o projeto atende 86 crianças e 360 pessoas de diferentes idades e diz viver um dos momentos mais favoráveis da sua trajetória.
“O mar está limpo como nunca vimos. A procura pelas aulas aumentou muito. Antigamente, muitos evitavam a praia por medo de doenças. Hoje, as famílias voltaram com confiança”, afirma José Ricardo Ramos, o Ricardo Bocão, surfista, artesão e fundador da escola.
Segundo a concessionária, parte desse avanço veio da reforma e modernização das estações elevatórias que captam e bombeiam o esgoto dos mais de 100 mil moradores de São Conrado e da Rocinha para o Emissário Submarino de Ipanema, que opera de forma contínua e com monitoramento em tempo real pelo Centro de Operações Integradas (COI).
Bruno Mendonça, coordenador de Operações da Águas do Rio, diz que a melhora observada nos boletins do Inea é resultado de um trabalho acumulado ao longo dos últimos anos.
“O avanço expressivo nos índices de balneabilidade da Praia de São Conrado que observamos nos boletins do Inea é em virtude das ações que estamos realizando há quatro anos. São medidas importantes para o futuro dessa região, tanto no setor de saneamento quanto no campo ambiental”, destaca Bruno Mendonça.
A concessionária também afirma ter reforçado ações de fiscalização e manutenção preventiva para evitar lançamentos irregulares de esgoto na rede de drenagem pluvial, um problema antigo em áreas urbanas do Rio e que costuma afetar diretamente rios, canais e praias.
Na areia, quem frequenta o local já percebe a diferença. “Nos últimos meses, a água tem estado boa, sem motivo de preocupação com a qualidade, as pessoas estão frequentando mais vezes”, diz o banhista Gabriel Leonan.
A advogada Marta Cabalin chama atenção para o outro lado dessa história: a preservação depende também de quem usa a praia. “As pessoas precisam se conscientizar que precisam cuidar da praia. Cuidar da natureza é cuidar de si mesmo”, afirma.
E é justamente aí que entra o dever de casa de quem vive a praia de perto. Se a concessionária ampliou obras e manutenção na rede de água e esgoto, a Rocinha Surf Escola vem mantendo mutirões de limpeza na orla com alunos e voluntários. O trabalho inclui recolhimento de resíduos e conversa direta com frequentadores sobre a importância de preservar a faixa de areia.
A nova fase de São Conrado passa por essa soma: saneamento, balneabilidade, esporte e consciência ambiental. Depois de anos marcada por desconfiança sobre a qualidade da água, a praia volta a ganhar fôlego e, aos poucos, reconquista espaço entre cariocas, moradores da região e quem vive do mar.
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