A Orquestra Sinfônica Brasileira volta à Sala Cecília Meireles, na Lapa, nos dias 14 e 15 de março, com o espetáculo “Mulheres na Música”. O concerto segue uma linha que a orquestra vem reforçando: dar visibilidade à presença feminina na música de concerto, no palco, na regência e também no repertório.
Quem comanda a apresentação é a maestra Simone Menezes. O programa ainda terá a violinista Ana de Oliveira como solista em uma seleção de obras assinadas por compositoras de tempos, origens e linguagens diferentes: Joan Tower, Juliana Ripke, Claudia Montero e Louise Farrenc.
A abertura vem com “Fanfare for the Uncommon Woman nº 1”, de Joan Tower, peça curta e intensa que parte da mesma base instrumental da célebre Fanfare for the Common Man, de Aaron Copland, mas segue por outro caminho. Aqui, os metais e a percussão ganham uma pulsação afirmativa, com mais expansão e textura. A obra foi dedicada à maestra Marin Alsop e se tornou uma espécie de tributo a mulheres que ocuparam, ou ainda ocupam, espaços historicamente fechados.
Na sequência, entra “Quebra-molas”, da compositora brasileira Juliana Ripke, em versão orquestrada pela própria autora especialmente para este concerto. A peça nasce de um único motivo musical, que vai atravessando toda a estrutura e costura uma narrativa inspirada em deslocamentos por estradas de serra no Brasil. É uma música que sugere movimento, curva, tensão e retomada.
Depois, a violinista Ana de Oliveira assume o centro do palco para interpretar o Concerto para Violino, de Claudia Montero. A compositora argentina recebeu o Latin Grammy de 2014 com a obra, que mistura a tradição europeia do concerto com traços marcantes de sua escuta sul-americana. O resultado passa por lirismo, tensão e uma pulsação que lembra, em certos momentos, a atmosfera melancólica e urbana de Buenos Aires.
Na segunda parte, o programa chega à Sinfonia nº 3 em Sol menor, de Louise Farrenc, nome importante do romantismo francês e ainda menos executado do que deveria. A obra começa de forma contida, com um oboé em tom quase de lamento, antes de crescer em densidade. Ao longo dos quatro movimentos, a sinfonia alterna energia, delicadeza e contraste, num desenho orquestral que ajuda a entender por que Farrenc voltou a ganhar espaço nos repertórios sinfônicos.
Mais do que um concerto temático, “Mulheres na Música” costura compositoras de épocas distintas sem cair em efeito decorativo. A ideia parece ser menos a de montar uma vitrine e mais a de mostrar repertório forte, consistente e historicamente relevante, agora reunido sob o mesmo programa.
ProgramaJoan Tower – Fanfare for the Uncommon Woman nº 1Juliana Ripke – Quebra-molasClaudia Montero – Concerto para violino
Intervalo
Louise Farrenc – Sinfonia nº 3 em Sol menorI. Adagio — AllegroII. Adagio cantabileIII. Scherzo. VivaceIV. Finale. Allegro
ServiçoConcertos Especiais | Mulheres na Música14 de março, às 17h15 de março, às 11hSala Cecília Meireles – Rua da Lapa, 47, Lapa, Rio de JaneiroIngressos: R$ 40 (R$ 20 meia-entrada)
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