A chinesa Omoda & Jaecoo, marca internacional ligada ao Grupo Chery, deve assumir a fábrica da Jaguar Land Rover em Itatiaia, no Sul do Rio de Janeiro, para instalar ali sua linha de produção no Brasil. A informação foi revelada neste sábado pela CNN Brasil. Até aqui, porém, não houve anúncio oficial conjunto das empresas confirmando a operação.

Se o movimento for sacramentado, os britânicos vão encerrar a produção local na unidade fluminense. Hoje, a planta monta os modelos Discovery Sport e Range Rover Evoque, que devem continuar à venda no país até o fim dos estoques. A leitura do mercado é que a Jaguar Land Rover vem reposicionando sua atuação no Brasil, com foco maior no segmento de luxo e menor apetite para manter uma operação industrial local de baixo volume.

A fábrica de Itatiaia tem peso simbólico e industrial. Inaugurada em 2016, ela foi a primeira planta da Jaguar Land Rover fora do Reino Unido e continua sendo a única da empresa na América Latina. O complexo recebeu investimento superior a R$ 1 bilhão e nasceu com capacidade instalada de até 24 mil veículos por ano.

O problema é que a produção local já não parecia fazer muito sentido econômico. Segundo a apuração da CNN, a Jaguar Land Rover deve manter a linha em operação só até julho. O baixo volume de vendas no mercado brasileiro ajuda a explicar a decisão. Em 2025, foram vendidas 425 unidades do Discovery Sport e 332 do Range Rover Evoque, números modestos para sustentar uma planta desse porte.

Do lado da Omoda & Jaecoo, a produção nacional já era tratada como passo esperado. Em janeiro, a marca disse à CNN Brasil que estudava regiões para instalar uma fábrica no país e que pretendia acelerar sua expansão em 2026. A definição de Itatiaia resolve justamente a principal dúvida que ainda pairava sobre esse plano.

A unidade no Sul Fluminense também pode ganhar musculatura rapidamente. De acordo com a apuração divulgada neste sábado, os chineses pretendem ampliar a estrutura e elevar a capacidade de produção para perto de 100 mil veículos por ano, com espaço já garantido para 87 mil unidades. A nova base deve servir não só ao mercado brasileiro, mas também à exportação para países vizinhos.

Nos bastidores do setor, o nome mais cotado para abrir essa produção nacional é o Omoda 4, um crossover compacto que a marca vem tratando como um dos seus lançamentos mais importantes para o mercado brasileiro. Antes disso, a empresa já vinha ampliando sua ofensiva comercial no país. Em abril, lançou novos modelos eletrificados e manteve o discurso de consolidação da operação local.

A escolha por Itatiaia também representa uma vitória fluminense numa disputa que chegou a mirar Jacareí, em São Paulo. Segundo a reportagem, a implantação da fábrica era cogitada na antiga planta da cidade paulista, mas as negociações não avançaram. Com isso, o Sul do Rio de Janeiro deve ficar com um ativo industrial importante num momento em que as montadoras chinesas seguem ampliando espaço no mercado nacional.

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