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    Política

    O Rio de Janeiro na berlinda: STF se reúne para julgar a sucessão no governo, mas acaba colocando o estado no banco dos réus

    Marcelo Coelho CunhaPor Marcelo Coelho Cunha10 de abril de 20264 minutos lidos
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    O que estava em discussão no julgamento do Supremo Tribunal Federal (STF), nas sessões de quarta (8) e quinta-feira (9), era o rito para a escolha do sucessor de Cláudio Castro (PL) no Palácio Guanabara — se por eleição direta ou indireta. Mas parecia que sentado no banco dos réus estava o… Rio de Janeiro.

    Ao longo do debate, os ministros citaram episódios, relembraram crises e elencaram comparações — no mínimo, peculiares — revelando como o Estado do Rio é visto a partir de Brasília.

    O decano Gilmar Mendes deu início à chuva de comentários, citando uma frase clássica de sua época: “pobre México, tan lejos de Dios y tan cerca de los Estados Unidos” (pobre México, tão distante de Deus e tão perto dos Estados Unidos).

    Com liberdade artística, Mendes adaptou o ditado.

    “Fico pensando se essa frase não poderia ser aplicada ao Rio de Janeiro: tão longe de Deus, tão perto de milícias… e outras coisas”, disse, completando: “Deus tenha piedade do Rio de Janeiro”.

    Sua justificativa? Uma conversa com um diretor da Polícia Federal que teria afirmado ao ministro “que 32 ou 34 parlamentares da Assembleia Legislativa recebiam mesada do jogo do bicho”.

    ‘O Rio continua lindo, mas…’

    Flávio Dino — que pediu vista e adiou o julgamento — seguiu na mesma linha e fez praticamente um inventário de todas as crises do estado que, segundo ele, é uma “dificuldade institucional”.

    “Governador número 1, preso em 2017. Governador número 2, preso em 2018. Governador número 3, preso diversas vezes desde 2016. Governador número 4, preso em 2017. Governador número 5, preso em 2019. Aí, vem um que sofreu impeachment e outro que foi condenado agora pelo TSE por 5 a 2”.

    E sem perder o folêgo, continuou a enumerar:

    “Tribunal de Contas: Operação Quinto de Ouro, em 2017, prendeu praticamente todo o tribunal, menos um. (…) Alerj: presidente número 1 preso em 2017, presidente número 2 preso em 2017, deputados afastados: 1, 2, 3, 4, 5… mais de dez. Qual o outro estado que acontece isto?”, indagou.

    Em seu diagnóstico, Dino afirmou que não pode “dizer que é uma circunstância ‘de manual’, porque simplesmente nenhum doutrinador de direito eleitoral do Brasil cogitou na ocorrência daquilo lá”.

    “Daquilo lá”. Ui!

    E olha que ele abriu sua fala dizendo “que o Rio continua lindo”.

    Fux defende o Rio, mas dia depois de citar ‘o ambiente incivilizado’

    Já Luiz Fux, carioca e relator de uma das ações, reagiu ao tom das falas que, segundo ele, eram de um “profundo descrédito ao Rio de forma generalizada”.

    O ministro tentou dar um freio na leitura de que o problema seria exclusivo do estado.

    “Essa perplexidade não seria tão grande se colegas tivessem participado do julgamento do Mensalão, da Lava Jato, desse julgamento agora do INSS e do Banco Master, porque os escândalos não são concentrados no estado do Rio de Janeiro”, disse Fux.

    Mas ele mesmo já tinha relatado, na sessão anterior, uma experiência pessoal sobre as pressões que sofreu durante sua atuação como juiz eleitoral no Rio.

    “Aquilo é um ambiente incivilizado”, disse.

    Ele contou que, ao assumir a antiga 25ª Zona Eleitoral — na Zona Oeste, com cerca de 400 mil votantes — ouviu do então presidente do TRE-RJ a frase: “não sei se lhe dou os parabéns ou os pêsames”.

    E o ministro concordou que “devia ter recebido os pêsames”. Fux explicou aos colegas que foi perseguido pelo Comando Vermelho por seis meses depois da anulação das eleições de 1994.

    Fã ou hater?

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