Depois de quase duas décadas ajudando a moldar a cena gastronômica e boêmia do Rio, o Meza Bar tem data para se despedir. O gastrobar, que se define como “um bar cosmopolita, mas com essência legitimamente carioca”, encerrará as atividades no próximo dia 26.
Fundado em 2008, os responsáveis pelo espaço anunciaram o fim em uma decisão que pegou os frequentadores de surpresa. O comunicado foi feito pelo sócio-fundador Fernando Blower e pela chef e sócia Andressa Cabral na última terça-feira (31) – confira a programação completa ao final da reportagem.
Um gastrobar que mudou a forma de sair para beber no Rio
Localizado na Rua Capitão Salomão, no Humaitá, o Meza é conhecido pelo pioneirismo – dos petiscos servidos em “potinhos” à valorização da coquetelaria autoral brasileira – e se tornou, ao longo dos anos, um dos endereços mais consagrados da cidade quando o assunto é comer bem e beber melhor ainda.
Comida no “potinho”, tradição no Meza – Foto: Divulgação
“Trabalhamos do zero para criar essa cultura”, relembra Fernando, que destaca o papel do espaço na popularização da ideia de sair para beber drinques autorais e o consumo de destilados que não eram vistos como algo “bacana” ou sofisticado, como o gin . “Sempre foi um lugar onde coisas acontecem porque somos abertos a viver de tudo”.
Ao longo dos anos, o Meza também se consolidou como um espaço onde diferentes expressões culturais conviviam. diz. A casa reuniu noites com curadoria musical diversa, que ia do jazz ao baile charme, ainda nos anos 2000.
A relação com o público também virou parte do legado, e não eram raros os relatos de clientes que tiveram seus primeiros encontros no Meza e acabaram formando famílias. “Diversos fregueses dizem que tiveram seus primeiros ‘dates’ com parceiros da vida toda aqui”.
De acordo com o sócio-fundador, outro traço marcante para os frequentadores era a atmosfera democrática. “As pessoas se impressionavam por encontrar figuras famosas e notáveis comendo em ‘potinhos’ na calçada, no meio-fio. Sempre tratamos todos como iguais, sem ‘VIPs’”, afirma.
O reconhecimento foi além dos limites da cidade Rio, quando a revista britânica “Wallpaper” chegou a incluir o Meza Bar em uma lista de “40 coisas fabulosas do Brasil”, recomendando o espaço a leitores do mundo inteiro.
Problemas com os proprietários do imóvel e insegurança jurídica pesaram na decisão
O fechamento é resultado de uma soma de fatores – e começa por uma relação desgastada, há anos, com os proprietários do imóvel onde funciona o Meza Bar.
Segundo Fernando, a convivência nunca foi próxima, a ponto de não se encontrar pessoalmente com os donos há quase 18 anos, com todas as tratativas sendo feitas por meio de advogados. Nesse período, o bar chegou a levar questões consideradas básicas à Justiça.
“Já abrimos diversos processos judiciais para tratar de questões simples. Me sinto um invasor no espaço que pago para ocupar”, afirma.
A situação se agravou recentemente, quando os proprietários notificaram a intenção de vender o imóvel. Sem garantias de permanência, os sócios passaram a evitar novos investimentos na estrutura. Algo considerado inviável para o negócio, que funciona em um casarão antigo que exige manutenção frequente.
Crise do metanol e furtos também prejudicaram o Meza Bar
No meio desse cenário, outro golpe veio de fora. A crise do metanol, registrada na segunda metade de 2025, abalou a confiança do público no consumo de destilados após casos de intoxicação associados a bebidas adulteradas.
Mesmo sem qualquer relação com irregularidades, bares especializados em coquetelaria foram diretamente impactados, caso do Meza, conhecido justamente pelos drinks autorais.
“Seria impossível encontrar bebida falsificada no nosso estoque. Compramos de fornecedores extremamente confiáveis e até das próprias indústrias, mas entendemos o medo da população”, disse Fernando.
Drinque autoral “Smoove”, recriação da caipirinha tradicional – Foto: Reprodução
O faturamento do bar chegou a cair para menos de 60% do habitual e, mesmo com a redução dos casos e a retomada gradual da confiança, a recuperação foi lenta. “Fomos de menos 60% para menos 40%, menos 30%. Foram meses em baixa”.
Logo depois, o Meza enfrentou outro episódio inesperado no fim de 2025, com o furto da estrutura do sistema de ar-condicionado.
“Chegamos para trabalhar numa segunda-feira e nenhum ar-condicionado ligava. Quando checamos, toda a tubulação tinha sumido”, conta.
O prejuízo imediato foi de quase R$ 60 mil para refazer toda a instalação. Pouco depois da reforma, parte do novo sistema também foi furtada, ampliando os custos e a sensação de insegurança.
“Com tudo isso acontecendo, chegamos à conclusão de que é hora de se despedir”, disse Fernando.
A história do Meza termina sem planos para uma reabertura, » Read More
Leia a matéria completa





Deixe o Seu Comentário