Nepal em Chamas: Esposa de Ex-Primeiro-Ministro Morre em Ataque a Residência

Por Marcelo Cunha – A Gazzeta RJ

Caos no Nepal: manifestantes incendeiam prédios do governo, e premiê renuncia

Kathmandu — O Nepal atravessa uma de suas piores crises políticas das últimas décadas. Em meio a protestos violentos contra medidas de restrição às redes sociais e contra a classe política, a residência do ex-primeiro-ministro Jhala Nath Khanal foi incendiada por manifestantes. Sua esposa, Rajyalaxmi Chitrakar, não resistiu aos ferimentos após ficar presa no interior da casa em chamas.

Segundo informações locais, ela chegou a ser socorrida em estado grave ao Kirtipur Burn Hospital, mas não sobreviveu às queimaduras. O ataque à residência simboliza o grau de radicalização da população, especialmente da Geração Z, que lidera as mobilizações contra o que chamam de “tentativa de censura estatal”.

Escalada da violência

Os protestos ganharam intensidade depois que o governo anunciou restrições a plataformas digitais como Facebook, X e YouTube. A medida foi recebida como um ataque direto à liberdade de expressão.

Em poucos dias, os atos pacíficos se transformaram em enfrentamentos. Já foram contabilizadas 19 mortes de manifestantes em confrontos com a polícia e incêndios em prédios estratégicos da capital, incluindo o Parlamento, o Palácio Singha Durbar (sede administrativa) e até a residência oficial do então primeiro-ministro K.P. Sharma Oli.

Renúncia e crise política

Diante do caos e da pressão popular, Oli renunciou ao cargo, permanecendo apenas como chefe de governo provisório. O exército foi chamado às ruas para tentar conter os protestos, mas a instabilidade política permanece.

Analistas internacionais destacam que o episódio expõe a fragilidade democrática do Nepal, marcada por denúncias de corrupção, desigualdade social e tentativas de silenciar a juventude conectada.

Vozes pela vida

Líderes civis e religiosos têm pedido serenidade e diálogo, mas a comoção causada pela morte de Rajyalaxmi Chitrakar aumenta a sensação de que o país entrou em um ponto de ruptura.

O futuro do Nepal agora dependerá da capacidade de reconstruir pontes entre a sociedade civil e as instituições políticas, num processo que exigirá não apenas segurança, mas sobretudo escuta, inclusão e respeito às liberdades individuais.

A Gazzeta RJ acompanha os desdobramentos da crise política no Nepal e trará novas informações a qualquer momento.

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