O Ministério Público Federal (MPF) enviou um pedido de mediação à Justiça Federal para proteger cerca de 70 famílias de comunidades tradicionais que estão em risco de despejo imediato em Barra de Guaratiba, na Zona Oeste do Rio. O conflito fundiário acontece em uma área no entorno do Centro Tecnológico do Exército (CTEx).

A manifestação do MPF acontece após a União ajuizar 26 ações de reintegração de posse e expedir 50 notificações extrajudiciais contra pessoas que habitam imóveis na região. Moradores receberam ordens de desocupação voluntária sem alternativa habitacional.

O pedido do MPF busca suspender as desapropriações individuais e transferir o caso para a Comissão de Soluções Fundiárias da Justiça.

MPF quer evitar remoções forçadas

Para o órgão, a estratégia do Exército de individualizar os processos ignora a identidade territorial comum das comunidades Poço das Pedras, Pernambuco, Olaria, Bolsão do Índio, Itapuca, Araçatiba e Varginha. O MPF teme que, sem mediação, os processos possam ser conduzidos com remoções forçadas.

Juridicamente, o pedido enviado à Justiça sustenta que as moradias do local têm perfil de vulnerabilidade social e que os moradores detêm vínculos tradicionais com o território.

Em dezembro, o tradicional restaurante Tropicana, que fica na área em disputa com o Exército, fechou as portas após mais de três décadas por conta das ordens da União. O estabelecimento, que tinha alvará regular, sofreu intervenção militar sob a justificativa de ocupação de área da União.

Com informações do jornal “O Globo”.

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