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    Massacre de Realengo: 15 anos depois, o que a tragédia ainda ensina sobre a escola no Brasil

    Marcelo Coelho CunhaPor Marcelo Coelho Cunha6 de abril de 20264 minutos lidos
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    Massacre de Realengo: 15 anos depois, o que a tragédia ainda ensina sobre a escola no Brasil
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    Há datas que não passam. O 7 de abril é uma delas. Na próxima terça-feira, quando completam quinze anos da tragédia, o país ainda se lembra, em silêncio, da manhã em que a violência atravessou os portões da Escola Municipal Tasso da Silveira, em Realengo, e transformou uma sala de aula em cenário de horror.

    Neste domingo de Páscoa, tempo de recomeço e renovação, a lembrança se impõe não apenas pela dor, mas pela necessidade de seguir, reconstruir, de não deixar que o silêncio seja a última palavra.

    Foram 12 estudantes mortos. E outros milhões de feridos pelo país. A tragédia que adentrou os lares brasileiros por meio do noticiário, sem pedir licença, nos arremessou direto ao cerne de uma questão delicada.

    Naquele dia, perdeu-se também uma parte da ideia de que a escola é, por definição, um lugar protegido do mundo. E, ainda assim, no dia seguinte — e em todos os outros que se sucederam desde então — as escolas continuaram abrindo. Essa é a parte mais difícil de explicar. E a mais importante de lembrar.

    Escola Municipal Tasso da Silveira, em Realengo, onde a rotina resiste e a educação segue, 15 anos após a tragédia. — Foto: Reprodução/ Prefeitura do Rio

    A escola é o lugar onde o país aprende a existir.

    Ali começam muitas das primeiras coisas da vida: as primeiras letras, os primeiros amigos, as primeiras perguntas sobre o mundo. Os estranhamentos, os questionamentos, os posicionamentos. O engajamento.

    É também onde se aprende algo que nenhum currículo ensina formalmente: conviver.

    Nem sempre é fácil.

    A escola também é palco de conflitos, de solidões silenciosas e de feridas que hoje têm nomes mais visíveis e ‘hypados’, como o bullying, exclusão, violência — mas que sempre, sempre, estiveram ali.

    O que aconteceu em Realengo foi o ponto mais extremo dessa ruptura. Mas não foi o fim da escola. Nem daquela nem de qualquer outra. Mas talvez um renascimento, uma redescoberta, uma reconstrução.

    As escolas têm uma força silenciosa, porque elas continuam. É uma afirmação, mas pode ser uma questão. Por quê?

    Porque professores voltam às salas mesmo quando o mundo pesa.

    Porque crianças chegam com mochilas nas costas e perguntas na cabeça.

    Porque aprender é, no fundo, um ato de esperança. E de resistência.

    Não por acaso, a escola leva o nome de Tasso da Silveira, escritor, poeta e professor, que acreditava na força da palavra — e na formação humana.

    Há uma permanência nisso.

    Porque, apesar da dor, o que define a escola não é a tragédia que um dia tentou silenciá-la.

    É tudo aquilo que continua sendo dito dentro dela. A escola ainda é um dos poucos lugares onde o futuro se constrói todos os dias, quase em silêncio.

    Um professor explica uma equação, uma aluna descobre um poema e um outro estudante percebe que o mundo é maior do que a sua rua. Nada disso vira manchete, mas é ali que um país se reinventa.

    Ser professor no Brasil exige coragem cotidiana.

    Entre salários baixos, salas cheias e desafios imensos, eles seguem cumprindo uma missão antiga: abrir janelas. Porque ensinar não é apenas transmitir conteúdo, é oferecer horizontes.

    Quinze anos depois de Realengo, o país ainda deve respostas.

    Mas as escolas, todos os dias, oferecem caminhos.

    E isso importa.

    Todos os dias, milhões de crianças atravessam esses portões sem saber quem serão. Mas saem dali com algo essencial: a possibilidade de escolher. E talvez seja justamente isso que uma escola faz: ela insiste, permanece.

    E, mesmo ferida, continua ensinando o país a não desistir de si mesmo.

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    Marcelo Coelho Cunha
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