Infiltração no PSOL para monitorar Marielle Franco: Nova descoberta da Polícia Federal

Por Marcelo Cunha A Gazzeta RJ

Pedro Paulo Figueiredo Pereira, o Dom Pepito, em campanha pelo PSOL — Foto: Reprodução

A Polícia Federal revelou uma nova reviravolta no caso do assassinato de Marielle Franco. Pedro Paulo Figueiredo Pereira, conhecido como Dom Pepito, assinou a ficha de filiação de Laerte Silva de Lima ao PSOL, apesar de não ser membro do partido na época. Essa descoberta é parte de um relatório que aponta os irmãos Domingos e Chiquinho Brazão como mandantes do crime. O documento foi enviado ao Supremo Tribunal Federal (STF).

Detalhes da Infiltração

Segundo as investigações, Laerte Silva de Lima, identificado como miliciano, infiltrou-se no PSOL para obter informações sobre Marielle Franco. Em sua delação, Ronnie Lessa afirmou que Laerte foi colocado no partido para monitorar Marielle e reportar suas atividades aos irmãos Brazão. O relatório indica que Marielle estava alertando a população para não comprar lotes em áreas controladas por milícias, o que motivou a infiltração.

Ficha de filiação de Laerte de Lima, assinada por Dom Pepito, em abril de 2017 — Foto: Reprodução

Irregularidades na Filiação

Os investigadores descobriram que Dom Pepito assinou a filiação de Laerte em 2 de abril de 2017, mas ele próprio só se filiou ao PSOL em 2 de outubro do mesmo ano. Essa incongruência levantou suspeitas, já que Dom Pepito não era oficialmente membro do partido quando validou a entrada de Laerte. Apesar disso, ele participou ativamente da campanha eleitoral do PSOL, promovendo o então candidato a prefeito Marcelo Freixo.

Postagem de Dom Pepito sobre as mortes de Marielle Franco e Anderson Gomes — Foto: Reprodução

Contexto e Implicações

Dom Pepito era um conselheiro municipal de Saúde no Rio e liderava a Associação Comunitária dos Moradores e Amigos das Cinco Marias, em Guaratiba. Em 2008, ele tentou se eleger deputado federal pelo Prona, sem sucesso. Após o assassinato de Marielle e Anderson Gomes, ele fez uma postagem nas redes sociais insinuando que “muitas surpresas” surgiriam no caso.

A partir de agosto de 2019, Dom Pepito começou a postar frequentemente sobre Marcelo Freixo, o que chamou a atenção dos investigadores. Essas postagens sugerem uma possível ligação entre ele e os eventos que culminaram no assassinato de Marielle.

Reações e Respostas

Procurado pela A Gazzeta RJ, o PSOL ainda não se pronunciou sobre as novas descobertas. A reportagem também busca declarações de Pedro Paulo Pereira (Dom Pepito) e Laerte Silva de Lima.

**Marcelo Cunha**, jornalista da A Gazzeta RJ

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