Esquema de venda de emendas parlamentares envolve ameaças e suspeitas de corrupção
Por Marcelo Cunha
A investigação que resultou na transformação de três deputados do Partido Liberal (PL) em réus revela a prática ilícita de negociação de propina em troca de emendas parlamentares, as quais faziam parte do chamado orçamento secreto.
Os parlamentares Josimar Maranhãozinho (PL-MA), Pastor Gil (PL-MA) e Bosco Costa (PL-SE) são acusados em um processo que também inclui ameaças de morte e o risco de desvio de recursos que, conforme a Procuradoria-Geral da República (PGR), já estavam sendo desviados de seu destino original, o povo.
As provas do caso incluem gravações de conversas, planilhas financeiras e extratos bancários. De acordo com o processo, foi exigido o pagamento de R$ 1,6 milhão em troca da liberação de R$ 6,6 milhões destinados à cidade de São José de Ribamar (MA). Esse valor foi parte das emendas dos parlamentares envolvidos.
O ministro Cristiano Zanin, responsável por relatar o caso, destacou que foram identificados depósitos e transferências bancárias, além de documentos como extratos e planilhas, comprovando a movimentação financeira ilícita. Em sua denúncia, a PGR detalhou que os deputados tinham um intermediário para cobrar a propina, conhecido como Pacovan, que foi assassinado a tiros em junho de 2024. No entanto, até o momento, não foi estabelecida nenhuma relação entre a morte de Pacovan e o esquema de desvio de emendas.
As gravações dos diálogos revelam a desconfiança entre todos os envolvidos na operação, evidenciando que as emendas parlamentares se tornaram alvo de lobistas e intermediários. O cobrador de propina, Pacovan, demonstrava apreensão com o possível desvio dos valores que seriam pagos, pedindo comprovantes para garantir que os recursos chegassem às mãos certas.
Em uma conversa, Pacovan expressou frustração por não ter recebido os documentos comprovando que ele era o intermediário legítimo. Ele também fez ameaças de morte a outras pessoas envolvidas na negociação. O deputado Maranhãozinho, ao ser pressionado a pegar o dinheiro pessoalmente, se recusou, alegando que a situação poderia ser perigosa, já que o local poderia ter câmeras de segurança.
Em outra conversa, Pacovan informou que a prefeitura só faria o pagamento do dinheiro diretamente ao deputado Josimar Maranhãozinho, sem a presença de intermediários.
