A China manifestou, nesta segunda-feira, 28 de julho, disposição em apoiar o Brasil diante da iminente imposição de tarifas de 50% sobre produtos brasileiros anunciada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. A medida, prevista para entrar em vigor nesta sexta-feira, 1º de agosto, atinge todas as importações brasileiras e representa um dos maiores embates comerciais da história recente entre os dois países.
Em entrevista coletiva em Pequim, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Guo Jiakun, criticou a medida norte-americana e defendeu uma reação conjunta. Segundo ele, guerras tarifárias não têm vencedores e decisões unilaterais, como a de Trump, “não atendem aos interesses de ninguém”.
Guo afirmou que a China está pronta para colaborar com o Brasil, os demais países da América Latina, Caribe e os membros do Brics, com o objetivo de preservar o sistema multilateral de comércio, centrado na Organização Mundial do Comércio (OMC), além de promover justiça e equilíbrio no cenário internacional.
Ao ser questionado sobre a possibilidade de ampliar a compra de produtos brasileiros, como aviões da Embraer, o porta-voz afirmou que o país asiático está aberto a cooperações em setores estratégicos, inclusive na aviação, desde que baseadas em critérios de mercado.
A resposta diplomática de Pequim surge em meio a tentativas frustradas do governo Lula em obter diálogo direto com a Casa Branca para reverter a medida. A decisão de Trump ameaça setores-chave da economia brasileira, e pressiona Brasília a diversificar seus mercados e estreitar relações com parceiros estratégicos.
