A faixa etária entre 12 e 17 anos concentra o maior número de comportamentos misóginos, mais do que homens adultos e idosos, de acordo com a juíza Vanessa Cavalieri, titular da Vara da Infância e Juventude do Rio de Janeiro. Ela afirmou à CPI do Crime Organizado, no Senado, que o fenômeno está diretamente ligado ao acesso precoce à pornografia, que muitas vezes distorce a percepção dos jovens sobre relações sexuais e violência contra mulheres. Vanessa é responsável pelo julgamento do adolescente envolvido no caso do estupro coletivo de uma jovem de 17 anos em Copacabana, ocorrido em 31 de janeiro.
Segundo a magistrada, a observação de casos na Vara indica que episódios de abuso sexual entre estudantes de escolas tradicionais de classe média não são isolados. Muitos desses atos são filmados, permitindo constatar que os adolescentes reproduzem comportamentos vistos em conteúdos pornográficos, aos quais tiveram contato precoce. Pesquisas citadas pela juíza indicam que o primeiro contato de crianças no Brasil com sexo explícito ocorre por volta dos 9 anos, muitas vezes de forma acidental, ao buscar informações sobre educação sexual na internet.
“Quando a criança busca sobre educação sexual, em dois ou três cliques abre um site de pornografia. Os meninos e, muitas vezes, as próprias meninas, que ainda não têm experiência sexual, estão aprendendo que aquilo é sexo de verdade, e que é assim que devem se relacionar”, afirmou.
O caso de Copacabana, que resultou na internação provisória de um adolescente de 17 anos apontado como mentor do crime, evidencia a gravidade do problema. Inicialmente, o Ministério Público não havia solicitado a internação do menor, mas voltou atrás após a descoberta de uma segunda vítima que também atribui participação ao adolescente. O jovem está internado na Unidade de Acautelamento Gelso de Carbalho Amaral.
Vanessa Cavalieri ressaltou que a pornografia industrial frequentemente retrata relações misóginas, violentas e degradantes, o que reforça comportamentos de abuso entre adolescentes. Para a magistrada, compreender o impacto desses conteúdos é fundamental para prevenção e educação, uma vez que os jovens ainda estão formando suas experiências e valores sociais.
“Não é o primeiro, nem o décimo, nem o vigésimo caso de estupro coletivo entre adolescentes da mesma escola que recebo na Vara. Todos têm um padrão em comum: atos filmados e reprodução de cenas que os jovens não deveriam nem ter acesso”, completou.
Deixe a Sua Biografia aqui






Deixe o Seu Comentário