
Profecia de São Malaquias: O Último Papa e o Fim dos Tempos?
Por Marcelo Cunha

No coração do Vaticano, o conclave para eleger o novo papa, após a morte de Francisco em 21 de abril de 2025, atrai olhares do mundo católico e reacende uma antiga profecia atribuída a São Malaquias, arcebispo irlandês do século XII. Segundo a tradição, Malaquias teria tido uma visão em 1139, durante uma visita a Roma, na qual previu os 112 papas que liderariam a Igreja Católica até o fim dos tempos. O texto, publicado em 1595 pelo monge beneditino Arnold Wion, descreve cada pontífice com lemas enigmáticos em latim, culminando em um misterioso “Petrus Romanus” (Pedro, o Romano), que governaria em meio a “muitas tribulações”, antes da destruição de Roma e do Juízo Final.

A profecia ganhou destaque com o favoritismo do cardeal italiano Pietro Parolin, atual Secretário de Estado do Vaticano, cujo nome — Pietro — ecoa o “Pedro” da visão. Aos 70 anos, Parolin é reconhecido por sua habilidade diplomática, tendo liderado negociações com países como China e Cuba, e é visto como um candidato de consenso entre cardeais. Para alguns, seu nome e origem italiana reforçam a conexão com o “Petrus Romanus”, intensificando especulações apocalípticas. No entanto, a Igreja Católica não reconhece oficialmente a profecia, e estudiosos questionam sua autenticidade, apontando que o texto só surgiu 450 anos após a suposta visão, possivelmente forjado para influenciar conclaves do século XVI.
A lista de Malaquias associa cada papa a um lema simbólico. Por exemplo, João Paulo II é ligado a “De labore solis” (Do trabalho do sol), interpretado como referência a seu papado global e incansável, enquanto Bento XVI, com “Gloria olivae” (Glória da oliveira), remete à Ordem de São Bento, simbolizada por oliveiras. Francisco, o 112º papa, não se alinha diretamente com “Petrus Romanus”, mas seu pontificado, marcado por reformas e alertas sobre crises globais, foi visto por alguns como um prenúncio de tempos turbulentos.
Críticos, como o teólogo Luis Alberto De Boni, da PUC-RS, argumentam que a precisão dos lemas até 1590 e sua vagueza posterior sugerem manipulação política, possivelmente para favorecer candidatos em conclaves. A ausência de registros contemporâneos à vida de Malaquias, incluindo nos escritos de São Bernardo, seu biógrafo, reforça a tese de falsificação. Apesar disso, a profecia mantém fascínio popular, alimentada por coincidências e pelo imaginário apocalíptico, especialmente em momentos de transição papal.
Enquanto os cardeais se reúnem na Capela Sistina, o nome de Parolin e a sombra da profecia de Malaquias continuam a gerar debates. Seja como coincidência histórica ou narrativa mística, a escolha do próximo papa carregará o peso de expectativas espirituais e geopolíticas, em um mundo marcado por polarização e incertezas.





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