
União Progressista: Federação entre União Brasil e PP sacode política nacional
Por Marcelo Cunha

A federação partidária entre União Brasil e PP, batizada de União Progressista, foi oficializada na última terça-feira, 29 de abril de 2025, e já nasce como a maior força política do Congresso Nacional. Anunciada em Brasília, a aliança reúne 109 deputados federais, 14 senadores, seis governadores e mais de 1.300 prefeitos, posicionando-se como um player central nas eleições de 2026. A nova configuração, porém, enfrenta desafios internos e levanta questões sobre seu alinhamento político, especialmente em relação ao governo Lula e às pretensões presidenciais.
A União Progressista será comandada inicialmente por dois copresidentes: Ciro Nogueira, atual presidente do PP, e Antônio Rueda, líder do União Brasil. A decisão de dividir o comando reflete disputas internas, já que figuras como o ex-presidente da Câmara Arthur Lira (PP-AL) eram cotadas para assumir a liderança. A federação planeja adotar um presidente único a partir de 2026, mas o nome ainda não foi definido, gerando tensões entre os caciques das siglas.
No Congresso, a aliança garante a maior bancada da Câmara e uma das mais robustas do Senado, além de acesso à maior fatia dos fundos partidário e eleitoral. Estimativas baseadas em 2024 indicam que a federação poderia receber cerca de R$ 953,8 milhões para campanhas, superando o PL, atual segundo colocado. Esse poder financeiro reforça a ambição da União Progressista de eleger até 80% dos governadores em 2026, equivalente a 21 estados, contra os seis que já governa (Acre, Amazonas, Goiás, Mato Grosso, Roraima e Rondônia).
A federação, no entanto, enfrenta dilemas políticos. Apesar de deter quatro ministérios no governo Lula (Esporte, Turismo, Comunicações e Desenvolvimento Regional), líderes como Ciro Nogueira sinalizam um afastamento do Planalto. “Meu partido não estará com Lula em 2026”, declarou o senador, apontando para uma inclinação à centro-direita. O governador de Goiás, Ronaldo Caiado (União Brasil), reforçou o tom oposicionista, afirmando que a aliança “subirá a rampa do Planalto” em 2027, após vencer as eleições de 2026. Por outro lado, parlamentares do União Brasil, como o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, mantêm cargos no governo, evidenciando divisões internas.
O manifesto da União Progressista defende “responsabilidade fiscal e social” e um “choque de prosperidade” com foco no setor privado, criticando indiretamente a gestão econômica do PT. A federação também enfrenta atritos regionais, com disputas pelo comando estadual em São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Paraíba, onde líderes como Efraim Filho (União Brasil-PB) e Aguinaldo Ribeiro (PP-PB) competem por influência.
No Rio de Janeiro, a federação ainda não definiu sua liderança local, mas articula candidaturas competitivas para 2026, incluindo possíveis nomes para o governo estadual. A aliança promete fortalecer a oposição ao PT na Baixada Fluminense, onde PP e União Brasil já contam com prefeitos e deputados influentes.
A criação da União Progressista gerou reações no cenário político. O MDB, temendo perder espaço no centro, iniciou negociações com o Republicanos para formar uma federação concorrente. Enquanto isso, o PL, ligado ao ex-presidente Jair Bolsonaro, observa a nova aliança com cautela, já que uma eventual parceria com a União Progressista pode definir o rumo da direita em 2026.
A federação será formalizada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) nos próximos meses e terá de atuar como um bloco unificado por pelo menos quatro anos, sob risco de perder acesso aos fundos públicos em caso de rompimento. Para analistas, a União Progressista redesenha o tabuleiro político brasileiro, mas seu sucesso dependerá de resolver conflitos internos e definir uma estratégia clara para as próximas eleições.



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