
Caos e Desafios: Os primeiros dias de Márcio Canella na Prefeitura de Belford Roxo
Por Marcelo Cunha

A chegada de Márcio Canella à prefeitura de Belford Roxo, no início de 2025, revelou um cenário de completo abandono administrativo e financeiro. Sem a realização de uma transição por parte do governo anterior, comandado por Wagner dos Santos Carneiro, o Waguinho, o novo prefeito encontrou um verdadeiro caos. Equipamentos essenciais foram retirados, documentos apagados e a cidade mergulhada em uma crise financeira estimada em R$ 1,5 bilhão.

Um Início de Gestão Turbulento
Ao assumir o cargo, Canella e sua equipe se depararam com instalações depredadas. Relatórios apontam que computadores, HDs, torneiras, chuveiros e até bandeiras oficiais foram removidos. “Levaram tudo. Até as torneiras do banheiro”, declarou o prefeito em tom de indignação, ao comentar a situação da sede administrativa.
A falta de transição governamental agravou ainda mais o quadro. Informações sobre contratos, pagamentos e projetos simplesmente desapareceram, obrigando a nova gestão a operar às cegas. Segundo Canella, os dados foram propositalmente apagados pela administração anterior, tornando o desafio de governar ainda mais complexo.

Calamidade Financeira Decretada
Diante da gravidade da situação, o prefeito decretou estado de calamidade financeira no município. A medida emergencial restringiu o funcionamento da prefeitura apenas aos serviços essenciais, como saúde, coleta de lixo e segurança pública.
“Não podemos simplesmente começar uma gestão em meio a tanto caos. É necessário organizar a casa para, então, atender a população de maneira eficiente”, afirmou Canella. A prefeitura deve permanecer fechada para serviços não essenciais até 15 de janeiro, período em que a equipe de governo realizará uma auditoria completa para identificar o tamanho do rombo deixado pela administração passada.
Apoio e Expectativa da População
Nas redes sociais, Canella adotou o slogan “Reconstruindo Belford Roxo”, que reflete o objetivo de sua gestão: restaurar a normalidade e devolver à cidade a dignidade perdida. A população, por sua vez, reagiu com misto de apoio e ansiedade. Muitos esperam respostas rápidas para os problemas enfrentados, especialmente nos setores de saúde, educação e infraestrutura básica, que foram severamente impactados pela falta de recursos.
“Estamos confiantes de que Márcio Canella conseguirá colocar Belford Roxo de volta nos trilhos. Mas sabemos que será um processo longo e difícil”, comentou Maria da Conceição, moradora do bairro Nova Aurora.

O Papel de Waguinho no Caos
O ex-prefeito Waguinho tem sido apontado como o principal responsável pelo estado de abandono. Além de não promover uma transição de governo, há relatos de que equipamentos municipais foram retirados às vésperas do término de seu mandato. Moradores relataram, inclusive, a remoção de mobiliário público de unidades de saúde e escolas.
O Comitê de Crise
Para enfrentar os desafios iniciais, Canella montou um Comitê de Crise com especialistas em finanças públicas e administração. O objetivo é implementar medidas que garantam o funcionamento mínimo dos serviços essenciais enquanto a prefeitura busca soluções para a crise financeira.
Entre as prioridades estão a regularização do pagamento de fornecedores, a retomada de obras paralisadas e a reestruturação dos sistemas administrativos da prefeitura.
“É um trabalho árduo, mas não vamos nos intimidar. Vamos reconstruir Belford Roxo e mostrar que é possível fazer uma gestão transparente e eficiente”, declarou Canella.
Reconstrução e Esperança
Apesar dos desafios, o governo Márcio Canella mantém um discurso otimista. A promessa é de que, com esforço e planejamento, a cidade poderá superar a crise e trilhar um caminho de desenvolvimento.
A expectativa é que após o dia 15 de janeiro, com o fim do período emergencial, as primeiras ações concretas comecem a ser implementadas, trazendo um alívio para a população de Belford Roxo, que há anos clama por uma administração eficiente e comprometida com os interesses coletivos.
“Recomeçar é sempre difícil, mas o importante é que tenhamos um propósito. E o nosso é devolver Belford Roxo para o povo”, concluiu o prefeito.



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