
PT ignora controvérsias e silêncio de Lula ao reconhecer vitória contestada de Maduro na Venezuela
Nota oficial do PT descreve o processo eleitoral como “pacífico, democrático e soberano” e confirma reeleição de Maduro. Enquanto a oposição venezuelana contesta os resultados, o Brasil exige maior transparência e acompanha a situação de perto.
Por Marcelo Cunha

A Executiva Nacional do Partido dos Trabalhadores (PT) reconheceu, em nota divulgada na noite de segunda-feira (29), a reeleição do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro.
Os resultados divulgados pelo órgão oficial informam que Maduro foi reeleito com 51,2% dos votos, contra 44% do opositor Edmundo González. A oposição, no entanto, afirma que González venceu com 70%.
A posição do PT diverge do silêncio adotado por Lula e do tom de cautela adotado pelo governo até o momento. O Brasil ainda não reconheceu os resultados e cobra maior transparência nos dados eleitorais.
“É importante que o presidente Nicolás Maduro, agora reeleito, continue o diálogo com a oposição para superar os graves problemas da Venezuela, em grande medida causados por sanções ilegais”, diz a nota do PT, presidido pela deputada Gleisi Hoffmann (PR).
Os resultados da eleição, divulgados na noite de domingo (28), ainda são contestados pela oposição e vistos com desconfiança por grande parte da comunidade internacional, incluindo o governo brasileiro.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, fundador e principal nome do PT, ainda não comentou o tema publicamente. Em nota, o governo brasileiro saudou a realização das eleições, mas exigiu maior transparência nos dados, sem reconhecer explicitamente o resultado.
Com a crise política na Venezuela, o governo alerta brasileiros para evitarem aglomerações no país vizinho, em meio a protestos, Maduro expulsou embaixadores de países críticos; Celso Amorim pediu atas eleitorais.
Os Pontos da Nota do PT
A nota da Executiva Nacional do PT adota diversos termos que demonstram apoio ao governo de Nicolás Maduro e ao resultado eleitoral. O texto descreve o processo eleitoral como uma “jornada pacífica, democrática e soberana” e expressa “certeza” de que o Conselho Nacional Eleitoral – centro da polêmica, acusado de ocultar dados – “dará tratamento respeitoso para todos os recursos que receba”.
A nota também critica, de forma indireta, a pressão da comunidade internacional para maior transparência nos dados antes do reconhecimento dos resultados. Ao mencionar os “graves problemas” da Venezuela, afirma que eles são “em grande medida causados por sanções ilegais” e que o PT permanecerá “vigilante” para evitar “violência e ingerência externa” nos assuntos do continente.
Brasil Adota Cautela
O governo brasileiro ainda não reconheceu os resultados oficiais do Conselho Nacional Eleitoral da Venezuela, que apontam a segunda reeleição de Nicolás Maduro. Em nota, o Ministério das Relações Exteriores disse que “acompanha com atenção o processo de apuração” e aguarda informações mais detalhadas.
O texto do governo ressalta a importância do “princípio fundamental da soberania popular”, mas complementa que deve ser observado “por meio da verificação imparcial dos resultados”.
Durante a segunda-feira, o ex-chanceler brasileiro Celso Amorim, assessor de Lula para assuntos internacionais, se reuniu com representantes das campanhas de Maduro e González. Amorim permanece em Caracas e deve retornar ao Brasil nesta terça-feira. Até o momento, ele também evitou declarações incisivas, tanto para validar o resultado anunciado pelo governo Maduro quanto para apontar fraude nas urnas.



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